O tal do PDCA

30 de abril de 2011 § Deixe um comentário

PDCA nada mais é que um esclarecimento sobre o passo a passo de ações de um administrador. E o professor é também um administrador.

Para que não se torne uma espécie de mantra, é interessante deixar a sigla de lado e se concentrar nestes quatro passos em português: Planejar, Executar, Avaliar e Corrigir. Administrar a aprendizagem dos alunos, desconsiderando estes passos, nos subtrai a capacidade de extrair o máximo da educação escolar.

PLANEJAR

O plano de curso diz como seguir para atingir os objetivos: qual será nosso passo-a-passo, qual conteúdo utilizaremos, quando e como avaliaremos, e como recuperaremos o que não foi bem aprendido.

Me preocupa quando vejo que ainda hoje se chega ao segundo bimestre sem que alguns professores tenham feito seus planejamentos. Alguns, apenas seguem o livro. Outros, de matérias sem livros, muitas vezes inventam suas aulas em cima da hora.

EXECUTAR

Tendo um plano de ação pronto, é hora de ir para as aulas e ajudar os alunos a aprender os conteúdos. Os recursos materiais podem ser decisivos e toda tecnologia nova, se incorporada, pode fazer a diferença. Mas nem todos os alunos vão à escola por amor ao conhecimento e haverá problemas de mau comportamento ou falta de atenção à aula. Quanto a isto, defendo que a escola aprenda a mudar o foco, dos exercícios para os jogos, que possuem maior potencial para atrair a atenção e o interesse dos alunos.

Há ainda muito o que se discutir, neste blog, sobre a evolução da execução das aulas, como perguntar mais e afirmar menos, contar histórias, resolver problemas da vida cotidiana, entre outras coisas normalmente deixadas de lado, na educação.

AVALIAR

Esqueçamos esta coisa de avaliação formativa, normativa… Vamos deixar de lado os nomes e compreender o conceito fundamental.

Se um piloto de avião precisa voar até o ponto A, e deixa para verificar se ele atingiu o destino correto somente ao final do vôo, qual será sua reação se ele descobrir que, na verdade, voou até o ponto B, por engano? Pois é assim que a escola costuma avaliar o aluno: ao final do processo, já sem tempo para corrigir o que precisa ser corrigido. É preciso avaliar a todo momento, para se certificar de que se está seguindo na rota correta.

Avaliar não é punir. A avaliação não é um castigo nem deve ser utilizado para ameaçar os alunos. Este não é o papel da avaliação (é como usar notas de dinheiro para se fazer rabióla de pipa). A avaliação é feita para descobrirmos quais conteúdos os alunos aprenderam melhor e quais não aprenderam bem. E precisamos mesmo nos preocupar em descobrir onde os alunos ainda tem dificuldade! Não se deve virar as costas para isto.

CORRIGIR

De que adianta avaliar e descobrir o que os alunos não aprenderam suficientemente, se o professor não tem a intenção de corrigir, de dar um reforço ou explicar novamente? Deve ser objetivo da avaliação escolar preparar o espaço para uma recuperação.

No processo de ensino, o que não deu certo deve ser corrigido. A recuperação se propõe a ser um processo de correção, porém, parece que a escola entende a recuperação com uma prova, uma avaliação. Uma prova de recuperação deveria ter outro nome, pois prova e recuperação pertencem a categorias diferentes. A prova de recuperação não recupera o aluno. Se ele estuda para a prova, poderá se recuperar, mas não adequadamente, em poucos dias, sem auxílio do professor. A prova, em si, oferece apenas mais uma chance de ganhar pontos.

Uma recuperação paralela seria ideal. O que não ficou bem aprendido num bimestre, continuará sendo desenvolvido no próximo por aqueles alunos que necessitam. Porém, os professores já não conseguem dividir as velocidades de ensino quando há alunos com necessidades especiais na escola, como conseguiriam ensinar conteúdos de dois bimestres, para uma mesma turma, no mesmo bimestre? Parece muito grande o desafio de desenvolver esta habilidade mas será importantíssimo não fugir dele.

Já ouvi professores se recusando a aplicar recuperações paralelas. Ora, então houve avaliação sem correção! Será o mesmo que dizer ao aluno: “Se não aprendeu, se vire! Já era!”, quando poderia ser “Se não aprendeu, vamos estudar de novo!”.

Espero que esse texto tenha esclarecido o PDCA (espero não falar mais dele) e que os professores não o leiam na defensiva, pois precisamos pensar nos nossos erros e não desistir de buscar evoluir nossa ação pedagógica. Sei que eu ainda preciso melhorar minha atuação nos quatro pontos, pois eu também estou mergulhado na cultura educacional tradicional até o pescoço. A cada ano podemos melhorar, incluir novos truques, abandonar velhas práticas ultrapassadas. Só depende de vontade para que isto aconteça.

Marcado:,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

O que é isso?

Você está lendo no momento O tal do PDCA no Marcelo de França.

Meta

%d blogueiros gostam disto: